Banco Central do Brasil se prepara para redução da taxa de referência após um ano inalterada
A todo vapor na busca por medidas que impulsionem o cenário econômico, o Banco Central do Brasil (BCB) está prestes a anunciar uma queda na sua taxa de juros de referência, que permaneceu inalterada a 13,75% nos últimos doze meses. Essa mudança, amplamente aguardada pelo mercado, ganha força em meio a uma demanda persistente por parte do governo.
O Comitê de Política Monetária (Copom) do BCB se reunirá durante dois dias a partir desta terça-feira para deliberar sobre o movimento. A pressão exercida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva desde que assumiu o governo em janeiro passado tornou essa decisão inevitável, marcando o início de um ciclo de cortes na taxa Selic, que ele mesmo descreveu como “irracional” e “abusiva”.
O alívio nos últimos meses em relação à inflação, que castigou a maior economia da América Latina entre 2021 e 2022, adicionou argumentos à necessidade de redução da taxa. “A inflação está em declínio, e em breve veremos uma diminuição na taxa de juros de referência. O presidente do BCB pode ser obstinado, mas seus argumentos estão escasseando”, declarou Lula em 11 de julho.
Desde agosto do ano passado, a taxa se mantém nos 13,75%, quando o comitê interrompeu os aumentos iniciados em março de 2020, saindo de uma mínima histórica de 2% devido à pandemia. Nesse nível, a taxa de juros do Brasil ostentou a maior marca do mundo em termos reais (7,54%), levando em conta a inflação projetada para os próximos 12 meses, conforme o renomado site MoneYou.
No entanto, há diferentes perspectivas quanto à magnitude da redução antecipada. A maioria acredita em um corte de 0,25 pontos percentuais, enquanto outros estão inclinados a uma diminuição mais acentuada, de 0,50 pontos, conforme indicado por uma pesquisa do jornal econômico Valor, envolvendo 128 instituições financeiras e consultorias.
Inflação sob controle
Em relatórios recentes, as autoridades do Copom atribuíram a “estabilidade” da Selic à cautela diante das pressões inflacionárias ainda persistentes. No entanto, a inflação tem se mantido estável nos últimos meses, causando impaciência no governo, que agora considera que as condições econômicas estão maduras para cortes nas taxas.
Em junho passado, o BCB mencionou que o cenário ainda demandava “prudência”. Mas, com a inflação atingindo 3,16% nos últimos 12 meses, o nível mais baixo desde setembro de 2020, e as projeções anuais situadas em 4,84% de acordo com a última pesquisa Focus do BCB, próxima do limite de 4,75% estabelecido como meta, o cenário para a redução está formado.
Apesar de ainda não atingir plenamente as metas, as expectativas dos analistas retrocederam de 5,95% em março, colocando o mercado em consonância com uma taxa Selic de 12% até o final deste ano, de acordo com projeções coletadas pelo BCB.
“Ventos Favoráveis”
Taxas mais elevadas encarecem o crédito e desencorajam consumo e investimento. Essa dinâmica alivia as pressões sobre os preços de bens e serviços, porém, por outro lado, esfria a economia, contrariando as intenções do governo.
O Ministro da Economia, Fernando Haddad, avalia que há “espaço” para essa redução, considerando um contexto de “ventos favoráveis”. Para ele, isso se deve em parte à melhoria na classificação da dívida soberana do Brasil (agora classificada como BB) pela agência Fitch, resultado de desempenhos macroeconômicos e fiscais melhores do que o esperado.As perspectivas do mercado apontam para uma expansão de 2,24% no PIB deste ano, número que foi revisado para cima, especialmente devido ao impulso do setor agropecuário, de acordo com a pesquisa Focus
Laura Ferreira
Repórter Econômica e Especialista em Finanças
Laura Ferreira é uma renomada repórter econômica e especialista em finanças, trazendo clareza e insights ao mundo complexo dos negócios. Graduada em Economia e Jornalismo, ela é uma voz influente na tradução de informações financeiras para o público em geral.
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